Comentário do texto: SILVA. Maria Beatriz Nizza da. 2004. A educação da mulher
e da criança no Brasil colônia. In. BASTOS, Maria Helena Câmara, STEPHANOU,
Maria. (orgs). Histórias e memórias da educação no Brasil - séculos XVI –
XVII. v. I. São Paulo: Vozes.
Neste artigo Maria Beatriz
Nizza da Silva discorre acerca da educação da mulher e da criança no Brasil
colônia. Segundo a autora, a educação formal colonial destinava-se apenas aos
meninos.
A Companhia de Jesus, ordem
religiosa que concentrou em suas mãos o ensino na colônia do século XVI até a
sua expulsão em meados do século XVIII, tinha dois objetivo: ensinar os
pequenos índios a ler e escrever e formava os quadros para a ordem no Brasil.
Assim, conforme ressalta Silva, a instrução e a leitura constituíam verdadeiro
quinhão de uma minoria de crianças e jovens (p. 131).
As meninas não tomaram parte
nesse quinhão. Estavam excluídas do processo educativo jesuítico. As famílias
abastadas que almejavam instruir suas filhas tiveram que recorrer a estratégias
variadas para instruir minimamente suas filhas, como fazê-las ingressar em
conventos em Portugal, contratar professores particulares, financiar ou apoiar
a fundação de recolhimentos.
Interessa-nos aqui destacar uma
dessas estratégias, ou seja, o envio de meninas para conventos em Portugal ou
para as ilhas atlânticas (p. 132). Segundo Silva, o ingresso nos conventos
implicava uma alfabetização, ainda que limitada, posto que cultura letrada e a
leitura de obras de devoção marcavam a vida conventual (p. 133). Foi em busca
dessa alfabetização que 12 meninas pernambucanas, filhas de senhores de
engenho, fidalgos da Casa Real, capitães-mores, foram enviadas aos conventos de
Santa Clara, da Luz e mosteiro do Lorvão.
É
importante destacar que a utilização dessa estratégia provocou discussões
acerca de suas consequências, implícita, por exemplo, na fala do governador de
Minas Gerais, que alertava o Rei sobre a possibilidade, se o envio não fosse
proibido, das mulheres brasileiras se tornarem freiras. Em outras palavras,
faltaria mulher para contrair matrimônio e, assim, povoar a colônia. Tal pedido
não foi atendido integralmente. Impôs-se apenas que houvesse a averiguação
quanto à vocação da jovem, a qual deveria ser realizada por autoridade civil e
eclesiástica (p. 133).
No entanto, esse mecanismo de
controle não impediu que mais jovens fossem enviadas, evidenciando, dessa
forma, que havia uma preocupação com a instrução da mulher colonial, ainda que
nos setores abastados.

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