15/07/2016

História da escolarização das mulheres brasileiras no período colonial

Comentário do texto: SILVA. Maria Beatriz Nizza da. 2004. A educação da mulher e da criança no Brasil colônia. In. BASTOS, Maria Helena Câmara, STEPHANOU, Maria. (orgs). Histórias e memórias da educação no Brasil - séculos XVI – XVII. v. I. São Paulo: Vozes. 

Neste artigo Maria Beatriz Nizza da Silva discorre acerca da educação da mulher e da criança no Brasil colônia. Segundo a autora, a educação formal colonial destinava-se apenas aos meninos.
A Companhia de Jesus, ordem religiosa que concentrou em suas mãos o ensino na colônia do século XVI até a sua expulsão em meados do século XVIII, tinha dois objetivo: ensinar os pequenos índios a ler e escrever e formava os quadros para a ordem no Brasil. Assim, conforme ressalta Silva, a instrução e a leitura constituíam verdadeiro quinhão de uma minoria de crianças e jovens (p. 131).
As meninas não tomaram parte nesse quinhão. Estavam excluídas do processo educativo jesuítico. As famílias abastadas que almejavam instruir suas filhas tiveram que recorrer a estratégias variadas para instruir minimamente suas filhas, como fazê-las ingressar em conventos em Portugal, contratar professores particulares, financiar ou apoiar a fundação de recolhimentos.
Interessa-nos aqui destacar uma dessas estratégias, ou seja, o envio de meninas para conventos em Portugal ou para as ilhas atlânticas (p. 132). Segundo Silva, o ingresso nos conventos implicava uma alfabetização, ainda que limitada, posto que cultura letrada e a leitura de obras de devoção marcavam a vida conventual (p. 133). Foi em busca dessa alfabetização que 12 meninas pernambucanas, filhas de senhores de engenho, fidalgos da Casa Real, capitães-mores, foram enviadas aos conventos de Santa Clara, da Luz e mosteiro do Lorvão.
            É importante destacar que a utilização dessa estratégia provocou discussões acerca de suas consequências, implícita, por exemplo, na fala do governador de Minas Gerais, que alertava o Rei sobre a possibilidade, se o envio não fosse proibido, das mulheres brasileiras se tornarem freiras. Em outras palavras, faltaria mulher para contrair matrimônio e, assim, povoar a colônia. Tal pedido não foi atendido integralmente. Impôs-se apenas que houvesse a averiguação quanto à vocação da jovem, a qual deveria ser realizada por autoridade civil e eclesiástica (p. 133).
No entanto, esse mecanismo de controle não impediu que mais jovens fossem enviadas, evidenciando, dessa forma, que havia uma preocupação com a instrução da mulher colonial, ainda que nos setores abastados.


As mulheres eram mantidas sob intensa vigilância social, que exigia recato sempre que estivessem em público. Uma senhora indo à missa numa cadeirinha, aquarela, Jean-Baptiste Debret, 1820-1825
Fonte: http://www2.uol.com.br

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